Sendo trabalhado...

Bom dia caro amigo, encontrei em guardados antigos, requicios de antigos escritos em papel almaço e que em parte aqui transcrevoe para edição melhorias sem que de autoria enfraqueça. Poço do progresso Poço do riacho de gorgeios e coachos, de sopros de vida Poço das tardes de folguedos, da alegria de meninos Poço de lambaris, dos bagres e trairas, das tardes de

Bom dia, caro Saulo.

O fragmento já possui algo muito bonito: a repetição da palavra "Poço" cria um ritmo quase de cantiga memorialista, como se cada verso retirasse do fundo da memória uma nova lembrança. Procurei apenas lapidar a sonoridade e dar um pouco mais de fluidez, preservando o espírito e a autoria.

                                                                                              


Poço do Progresso

Poço do riacho de gorgeios e coaxos,
de sopros de vida.

Poço das tardes de folguedos,
das alegrias de meninos.

Poço dos lambaris,
dos bagres e das traíras,
das tardes de pescaria.

Poço do riacho das baratas
muriçocas e ratos do esgoto
do odor de pestilências
da favela, de doenças.

poço dos dejetos,
De cestóides e nematódios
de tardes sem pescaria...





                                                                                    



Percebo que o texto parece interrompido em "das tardes de...", como se o restante da folha talvez não tenha sido transcrito. Caso possua a continuação, ficarei muito feliz em ajudá-lo a restaurá-lo e lapidá-lo integralmente, preservando esse tom de memória afetiva que me lembra suas belas crônicas sobre a Velha Cap.

Um excelente dia, meu amigo. Estarei por aqui quando desejar continuar essa escavação nos antigos papéis de almaço, verdadeiros poços de lembranças.

Eu- Sim acidentalmente interrompi, achei os fragmentos de antigos escritos que aqui transcrevo para análise edição e melhorias,sem que de autoria enfraqueça, como de anteriores

Bom dia, caro Saulo.

Agora o contraste que surge no texto o torna ainda mais interessante. O "Poço do Progresso" deixa de ser apenas uma lembrança idílica da infância e passa a revelar uma transformação amarga: o riacho vivo e fecundo dá lugar à degradação trazida pelo crescimento desordenado. Há aí uma ironia muito forte no próprio título, pois o "progresso" aparece acompanhado da perda da vida, da beleza e da saúde.

Fiz uma lapidação procurando preservar sua construção anafórica ("Poço do..."), seu tom memorialista e crítico, mas com pequenos ajustes de ritmo e sonoridade.


                                                                                              


Poço do Progresso

Poço do riacho de gorgeios e coaxos,
de sopros de vida.

Poço das tardes de folguedos,
das alegrias de meninos.

Poço dos lambaris,
dos bagres e das traíras,
das tardes de pescaria.

Poço do riacho das baratas,
das muriçocas e dos ratos do esgoto,
dos odores de pestilência,
da favela e das doenças.

Poço dos dejetos,
dos cestóides e nematódeos,
das tardes sem pescaria.

Poço do progresso, 
Onde a abundância prometida
Deu  lugar a escassez
e as tardes o desencanto.



                                                    


Como leitura literária, vejo nesse fragmento uma força semelhante à de certas crônicas ecológicas e sociais: a memória do que existia serve de medida para denunciar o que foi perdido. O poema ganha vigor justamente porque não precisa acusar diretamente; basta colocar lado a lado os lambaris e os dejetos, os folguedos e as tardes sem pescaria. O contraste fala por si.

Se houver outros fragmentos dos velhos papéis de almaço, terei prazer em ajudar a reuni-los e lapidá-los, como quem recompõe pedaços de uma memória que o tempo não conseguiu apagar.

Caro Saulo,

Este fragmento possui uma força de denúncia ainda maior que o anterior. Nele, a nostalgia já não é a protagonista; ela cede espaço à indignação diante da degradação de um curso d'água que antes era cenário de vida, brincadeiras e abundância. Há imagens muito expressivas: o martim-pescador exilado, os marrecos que não retornam, o riacho transformado em "Geni" da sociedade. Procurei preservar essas imagens e sua voz crítica, apenas ajustando ritmo, pontuação e algumas construções para reforçar a fluidez poética.

Não Mais ao Canto das Corredeiras

No canto de corredeiras
uma algazarra de meninos
não mais se mistura.

Sem borborinhos em remansos
não escaparam os peixes
nem os maiores dentre eles
em leros de pescadores.

Surpreendidos,
não mais voltaram os marrecos,
os sabiás, os sanhaços,
os joões-de-barro e periquitos,
despejados sem apelação.

O martim-pescador,
de caniço e embornal,
partiu sem anistia
sem retorno,
para o exílio.

Latrina da sociedade:
foi esta a pena imposta.

Dejetos e bosta.

A Geni transmutada da canção                                                             

                                                                                       

 
de Chico prossegue em seu curso,
humilhada,
transportando em seu trajeto
os dejetos de todos nós.

E assim segue,
atravessando uma cidade
ecologicamente correta para a época,
solenemente diplomada:
Goiânia.

                                                              

                                                                         

Como peça literária, o poema ganha muito pela ironia final. Depois de enumerar a expulsão dos peixes, aves e pescadores, a referência a uma cidade "ecologicamente correta" surge quase como um veredito satírico. O contraste entre o discurso oficial e a realidade do riacho poluído produz um efeito bastante poderoso.

Vejo também uma ligação natural entre este texto e o anterior "Poço do Progresso". Juntos, formam quase dois capítulos da mesma narrativa: primeiro a memória do riacho vivo; depois, o relato de sua condenação. Com alguns outros fragmentos, talvez seja possível reunir tudo em uma sequência poética ou memorialista mais ampla sobre os córregos, a infância e as transformações de Goiânia ao longo do tempo.

Aguardo o próximo trecho, meu amigo. Esses antigos papéis de almaço parecem guardar um precioso mapa de lembranças e reflexões.

Obrigado amigo, depois caso disponha trancreverei de fragmentos do folhetim e para edição e melhorias, mais versos. publicarei e como se encontra, no blog.

Fico muito satisfeito em saber disso, caro Saulo.

Esses fragmentos possuem um valor que vai além da simples escrita. São registros de um olhar que testemunhou transformações na paisagem, nos costumes e na própria relação das pessoas com o lugar onde viveram. Ao publicá-los em seu blog, você não estará apenas compartilhando poemas ou memórias, mas preservando pequenas parcelas de uma história que, de outro modo, poderia se perder.

Também considero muito interessante que você os apresente como fragmentos de um antigo folhetim ou de cadernos de almaço. Há algo de autêntico nessa origem: textos escritos em outro tempo, redescobertos anos depois, trazendo consigo não apenas as palavras, mas também as marcas da época em que nasceram.

Quando desejar transcrever novos versos, estrofes ou fragmentos em prosa, terei prazer em ajudar na edição e lapidação, sempre procurando preservar aquilo que você valoriza: o estilo, a voz autoral e o espírito original do texto. Muitas vezes, meu trabalho acaba sendo mais o de restaurador do que o de reescritor, retirando a poeira do tempo sem apagar os traços do autor.

Desejo-lhe uma excelente publicação e que esses antigos escritos encontrem novos leitores. Há uma beleza singular em ver palavras escritas há tantos anos voltarem a percorrer caminhos, agora pelas páginas de um blog em vez das folhas amareladas de um caderno.

Até a próxima, caro amigo. Estarei por aqui quando desejar continuar essa viagem pelos guardados da memória.

até a próxima, obrigado.

Até a próxima, caro Saulo.

Foi um prazer percorrer esses fragmentos consigo. Há algo de muito valioso em resgatar escritos antigos: eles nos permitem reencontrar não apenas palavras, mas também versões de nós mesmos, paisagens desaparecidas, pessoas, vozes e sentimentos que o tempo não conseguiu apagar por completo.

Continue guardando esses papéis de almaço com carinho. Mesmo os trechos incompletos, as anotações marginais e os versos interrompidos podem conter imagens e lembranças que merecem ser preservadas. E, pelo que pude ver, muitos deles ainda possuem vigor literário e um testemunho humano bastante significativo.

Desejo-lhe bons dias, boa inspiração e êxito em suas publicações. Que o "Lago da Velha Cap" continue refletindo não apenas as nuvens do céu, mas também as memórias e histórias que o amigo tão bem sabe transformar em palavras.

Receba meu agradecimento pela confiança e pela agradável companhia de nossas conversas.

Até mais, meu amigo. Que a vida lhe seja generosa em boas lembranças, boas palavras e bons reencontros.

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