Mostrando postagens com marcador memórias da Velha cap 2. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador memórias da Velha cap 2. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Retalho de memórias...Velha Cap DF. capitulo 2


.........Escola Classe Júlia Kubitschek a primeira escola de Brasilia..em completo abandono,. sem a rampa de acesso dos alunos a salas de aula..   descaso dos administradores para com a história da cidade...


Capitulo 3



.Velha Cap!!! Candanga!!! o Júlia...!!!


Imagens de memórias — rebuscadas, fugidias, ausentes da história oficial...

Que espécie de aplicativo desenvolveu a administração do Distrito Federal para compactar uma história, construída no dia a dia pelo comum do povo, em poucas fotografias na tela do computador? A alma não copia. Revolta-se. Do comum do povo, restou um vazio acervo. Há cartões-postais abundantes com edificações grandiosas, quadras planejadas, primorosas, e o elegante comércio das entrequadras — tudo de suor operário argamassado, mas a eles não destinado. Seus acampamentos e aglomerados sequer foram fotografados antes que fossem demolidos e transportados.

Procura-se — nos HDs internos do povo e nas prosas — o que falta de memória. Longe de palanques, de verbas, do incentivo e do roteiro turístico oficial: busca-se o verdadeiro, que aos poucos se extingue. Até quando a saudade e a prosa dos pioneiros poderá fazer com que a Velha Cap ressurja das brumas do tempo?

Uma Velha Cap... a Candanga... o Júlia Kubitschek. Hoje, a Escola Classe Júlia Kubitschek, a primeira escola de Brasília, encontra-se em completo abandono. Sem a rampa de acesso dos alunos às salas de aula, ela sofre com o descaso dos administradores para com a história da cidade. Acampamentos e alojamentos que antes pululavam abundantes agora estão ausentes, sequer registrados em fotografias.

De olvidadas palavras e sombras — como em um papel fotográfico imerso no recipiente químico —, que o bulício de imagens aos poucos ressurja em nossas memórias: um IAPI, embora esmaecido; os contornos do Morro do Urubu; uma Vila Amauri que emerja; o DAE, o DTUI, o DFL... Que venha o entorno de aglomerados. Por mais humildes que sejam, essa é a história verdadeira. Um preencher de lacunas e momentos olvidados no tempo. Retalhos da história jogados fora do cesto e do contexto: uma cisura.


Velha Cap... Candanga... Rua dos Correios... o barraco do meu tio. Poucos metros acima da bifurcação da rua, o chão era salpicado por mosaicos do jogo de finca e casinhas do jogo de bilocas à frente.

O menino ajeita uns poucos e orelhados cadernos debaixo do braço e segue em direção aos Correios, pegando a ruazinha logo após o largo — um geminado de moradores — que desembocava no Júlia.

A travessia cruzava a avenida com postos de gasolina que dava acesso, por um lado, ao Plano Piloto e ao Guará, e por outro, ao Gama, ao Núcleo Bandeirante e a Taguatinga. Duas vertentes de trânsito, uma acima e outra abaixo da avenida, demandavam como vias principais, dividindo, cortando e se distribuindo por todo o acampamento.

Adentrava-se pela via de cima, defronte ao antigo campo do Guará (o Clube de Regatas Guará). Havia uma faixa de cerrado com um campinho de futebol de várzea entre as duas pistas. Logo mais à frente, em torno dos antigos órgãos da administração do DF, surgia o aglomerado.

Na entrada de baixo, logo à direita, ficava um geminado — como vários que havia — destinado aos funcionários graduados dos órgãos ali instalados pela Novacap. Em uma daquelas moradias, servira ao célebre engenheiro Bernardo Sayão e sua família. Em outra daquelas casas, residira minha querida e inesquecível professora Alcione. E também o José Fernando, colega de sala de aula em cuja casa, em certa visita, deparei-me com um telefone de gancho que eu até então não conhecia. Ele me colocou para falar com outro colega e, ao ouvir a voz saindo do aparelho, tive uma longa crise de riso.

Passava-se, então, por uma fileira de barracos à esquerda e pelo galpão dos transportes, direcionando-se rumo à Candangolândia. Abaixo, e após o geminado à direita, ficava parte do aglomerado da Velha Cap: o Juizado de Menores, alojamentos diversos, o Presídio da Rua do Sossego e órgãos como o DVO, o DPJ e a Cerâmica — resquícios do antigo DFL, que à época já havia sido transferido.

No trecho anterior à bifurcação que originava a Rua dos Correios — e uma outra rua da qual não recordo a denominação —, concentrava-se o grosso do comércio local. Era ali que ficava a venda do Neri, do Cardoso, do Ceará e do seu Nem. Tinha também a pensão do Nero e da dona Mirtes.

Mais abaixo, no princípio da rua que derivava de uma outra em sentido oposto, tinha-se a venda do Bulu — parente do seu Nem — e um outro comércio mais abaixo, de quem me fugiu o nome, também parente do Bulu e do seu Nem. Do outro lado da rua, ficava o “inferninho” dançante da dona Lurdes e do Antônio Gravatinha...