sexta-feira, 7 de maio de 2010

Retalho de memórias...Velha Cap DF.


                                                                                                                       



Rebusquei no banco de memórias... 1966... E me vi com meu tio Miguel — hoje falecido —, quando nos buscou em Goiânia, a mim e meus irmãos, um ano após a morte de nosso querido pai.

Fomos morar na Velha Cap, na Rua dos Correios, do lado direito da bifurcação que, a certa altura, se dividia. Passei a viver ali, na casa do tio: um barraco rústico de madeira, como quase todos à época.

A Velha Cap e a Candangolândia foram se ajeitando em torno das estatais e dos alojamentos da época: DVO, DPJ, DFL, Juizado de Menores, o Presídio da Rua do Sossego, os Correios e o setor de Transportes. De um lado, no alto, ficava a Velha Cap. Abaixo, separada por um promontório acascalhado e riscado por trilheiros, estava a Candangolândia.

Meu tio me matriculou na Escola Classe Júlia Kubitschek, a primeira escola construída em Brasília. Ela situava-se em um dos lados da Velha Cap, tendo a ponta da Candangolândia ao fundo. Mais adiante, ficava a mata do Jardim Zoológico com o córrego Vicente Pires, que costeava a região desde a Metropolitana, passando pelo Núcleo Bandeirante, Velha Cap e fundos do zoológico, até desaguar na ponta sul do Lago Paranoá.

Na outra margem do córrego, após uma estrada de terra que adentrava a mata, havia uma velha ponte de madeira. Antes dela, um pouco mais adentro na beira da estrada, ficava a chácara de produção e manutenção do zoológico. Após cruzar a ponte, adiante e à esquerda, encontravam-se resquícios de antigas construções. À direita, funcionavam algumas poucas empresas e, mais à frente, ficava o acampamento do DAE.

Essa estrada começava na Velha Cap e passava pelo DVO, pela cerâmica e pelo DPJ — que tinha um campo de futebol ao fundo, muito utilizado pelos operários. Um pouco mais adiante, a via desembocava na Rua do Sossego, onde ficava o presídio, o primeiro de Brasília.

Olhando do portão da Escola Júlia Kubitschek, na rua à frente e à esquerda, havia uma fileira de barracos. Era ali que morava o Augusto Costa, o "Agustim", meu grande amigo. A casa dele era uma das poucas com água encanada (naquela época, não se pagava por ela, tampouco pela energia).

A maioria dos outros moradores dependia dos caminhões-pipa. Quando eles atrasavam — o que era frequente —, a gente carregava água no ombro, em latas, ou em carrinhos de mão, pegando direto da torneira que ficava no quintal do Agustim. Eu e outros moleques ganhávamos uns trocados fazendo esse serviço.

Virando os olhos à direita e um pouco acima, avisttava se uma das pontas da Velha Cap. Mais adiante o galpão dos transportes e, ao redor, os aglomerados de barracos e ruas. À direita e paralela a fundos da escola, existia um conjunto geminado de moradias conhecido como "As Dez Mais", destinado aos funcionários graduados da Novacap. Lá morava o Ênio, meu colega de sala, e seu irmão Edmar. Um pouco mais abaixo, ficava a Escola Zoobotânica.



"As Dez Mais": Esse nome do conjunto geminado é uma preciosidade

Um comentário:

  1. Finalmente, encontrei alguém que menciona o antigo DAE, fiz uma busca e nada, caiu no esquecimento ou será que já eramos esquecidos naquela época mesmo? Nasci e vivi no DAE até meus 11 anos, de 70 a 81, eu, meus 05 irmãos e meu marido temos lembranças incríveis daquele lugar, uma pena no google não haver nada sobre o Acampamento, triste ver a historia se perdendo...

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