terça-feira, 1 de março de 2011

- Aspectos interessantes







"Obs O blog é um campo de trabalho e passa como rascunho por uma revisão constante onde alem de fluência e naturalidade o que se busca é o aprimoramento da expressão"

Aspectos interessantes

A leste de Planaltina, seguindo por trilheiros e estradinhas que rabiscam uma faixa de cerrado outrora frutífera, encontra-se a Serrinha. E no alto da Serrinha, os resquícios de uma amurada antiga, feita com pedras empilhadas umas sobre as outras. Disseram-me tratar-se de uma obra antiga, oriunda de trabalho escravo.

                                                                                                             Mamacadela    
                                                                                               meio ambiente cult






Araticum do cerrado - foto- Caliandra do cerrado




                                                                                                                        blogspot.com                                                                                                                          Mangaba 



Logo depois da Serrinha e da amurada de pedras, para o leste (se não me engano), o cerrado se estendia — e, dali por diante, disseram-me, pertencia aos militares. Por essa razão, evitávamos explorá-lo.

À direita, no sopé da Serrinha, localizava-se a fazenda que premiava nossos olhos com uma linda várzea, aleatoriamente pontilhada por buritis, arbustos e belas árvores que se aglomeravam às margens de um pequenino afluente. Esse fio d’água, dirigindo-se lentamente ao riacho Mestre d’Armas, daria pelo caminho com Planaltina — e, recepcionado com esgotos, a atravessaria.

Vale do Amanhecer - comunidade religiosa

                                                                                                              
                                                                                                                blogspot.com  

Do outro lado do regato, transpondo uma colina — ou elevado — hoje existe um bairro.

(Obs.: Quando voltava, em noites de pescaria, eu gostava de, do alto do elevado, observar a cidade com suas luzes. E, sobre as janelinhas iluminadas, tecia conjecturas... Palco de quê seriam... naquele momento? Aleatoriamente, numa e noutra eu focava... O que rolaria? E os personagens? Como seriam? kkkkkk “leseira pura”...)

Ficava por ali a cachoeirinha do Pipiripau — local de banho brrrrrr, bastante frequentado. Logo abaixo, havia um frigorífico. E, nos fundos dele, após uma pontinha rústica e um pasto, vinha um cerrado que se avolumava, apresentando uma ocorrência fora do comum de araticuns (gostávamos dali!).

Logo abaixo, o córrego fazia uma curva, quase 180 graus — era um dos nossos locais preferidos de pesca.

Na sequência vinham o Vale do Amanhecer, o Morro do Catingueiro (ou da Capelinha) e, depois, o Pântano.

A Pedra Fundamental de Brasilia - morro do centenário
                                                                                                                blogspot.com


Como a sonolenta serpente que escancara a boca envolvendo a presa, o riacho Mestre de Armas se espalha neste ponto e fagocita toda a mata — é o Pantano.
Ali, com água a dar pela cintura, caminhávamos através da floresta alagada até uma árvore tombada e, empoleirados sobre o tronco, demorávamos a pescar...
Dali, por vezes, incursionávamos até os fundos do Colégio Agrícola, onde furtávamos cana e tomates...                                                                w0sd.com

MarquinhosBsB
Morro da Capelinha

Imagine, caro leitor — “caso algum apareça” (kkkkk) — que, a partir do Morro da Capelinha, a paisagem que se espraiava foi considerada pela comissão Cruls como uma das mais belas já vistas por eles (hoje, infelizmente, desfigurada). Também, no célebre relatório, constam referências à piscosidade da região, fato que pude comprovar.
Ao norte de Planaltina, depois de uma faixa esplêndida de cerrado, rodovia, baixada e córrego, encontra-se o Monteiro, outro dos nossos pomares naturais; e, depois de longa — longuíssima — caminhada, a Lagoa de Bonsucesso e o Rio Paranã.
I
bacopari Foto Ana Rosa


                                                         
                                                                                                            Pitanga  blogspot.com




Abaixo, antes da ponte, o Furnal (“córrego Fumal”) faz uma curva, e o local é ponto de banhistas, além de ficar na rota para a Lagoa Bonita.
A nordeste, na altura do posto fiscal, à esquerda da rodovia, numa vicinal “sem asfalto” (rota de São Gabriel), depois de uma longa e belíssima caminhada — com direito a gabirobas, muricís e mamacadelas, esporadicamente colhidos à beira da estrada —, enveredando por um desvio à esquerda, chega-se à Lagoa Feia de Formosa, que, por sinal, é belíssima.

Lagoa "feia" de Formosa                                                                        DeviantArt

Agora venha cá, caro leitor, se um dia eu tiver algum, aproximemo-nos de Planaltina e, dentre outras coisas, vou te falar dos dois córregos e também da zona de Planaltina, o bordel. Volta e meia estávamos lá. Ali aprendi a conhecer e a respeitar as mulheres, independentemente do que façam ou deixem de fazer. Recolham-se por convicções em um convento ou atuem por necessidades em um bordel, toda mulher merece respeito e consideração. Seja dedicando-se ao lar ou nas diversas áreas desta sociedade desigual que, para alguns, concentra privilégios e, para outros, democratiza carências, nesse nicho — a zona e as mulheres neste contexto servindo — são como válvulas de escape e produto de tudo isso...
As virtudes, defeitos, fraudes, honestidade, descrença e fé encontram-se em toda parte.

Imagine o cliente, se é desses que por vagabundas e derivativos as tomam. Que o dinheiro com que lhes paga, quando pagam, em algum bairro da cidade, num canto qualquer, pode estar financiando no seio de uma família considerada normal, “um lar normal”, para um ou mais filhos destes derivados de situações de abandono ou negativas de paternidade.

Estávamos sempre por ali, e o Batista então, nem se fala... este amigo de todas as horas... compartilhamos, além da amizade verdadeira, momentos belíssimos e inesquecíveis que deixaram saudade...
Visitei-o muitos anos depois... ele deixara o vício e, com a esposa, tornaram-se evangélicos. Vivem felizes com os filhos que tiveram e com uma das filhas de outro relacionamento do meu amigo... falou-me com evidente orgulho dos filhos; alguns são músicos e atuam na igreja... levou-me para conhecer seu xodó, uma canoa improvisada de um teto de kombi, e me convidou para muitas pescarias...

Obs.: Que surpresa maravilhosa recebi ontem, dia 11 de maio de 2012, a visita do meu amigo Batista. Chegou aqui de surpresa com a esposa, uma filha e uma neta, e com outra surpreendente e belíssima surpresa: o fato de que um de seus filhos, o Pedro Herique, esteja no programa Astros do SBT e arrebentando...
Posto aqui o vídeo deste garoto simples que brota de um rescaldo difícil e muito sofrido, fato este que, com certeza, embasa a expressão do sentimento deste talento genuíno... Portanto, é com evidente orgulho e emoção que posto aqui o vídeo deste garoto puro, oriundo do povo desta gente acolhedora e simples que permeia nossa pátria...


Aqui abro um parêntese, para falar da importantissima figura humana e história em relação a Planaltina DF e região: ol coronel Salviano Monteiro Guimarães...resultado de pesquisa no Google.

O Coronel Salviano Monteiro Guimarães foi uma das figuras mais ricas, influentes e visionárias do Planalto Central brasileiro no início do século XX. Nascido em Formosa (GO) em 1866, ele mudou-se para Planaltina por volta de 1900 e transformou-se no grande pilar do desenvolvimento estrutural e político da região décadas antes da construção de Brasília. [1, 2, 3, 4]
O Coronel foi casado com Olívia Campos Guimarães, com quem teve oito filhos, consolidando uma linhagem de pioneiros que moldou a história local. [1, 2, 3]
O Legado de Inovação e Infraestrutura
Mesmo em uma região isolada do interior do país na época, o Coronel Salviano sempre esteve à frente de seu tempo:
  • Pioneirismo Tecnológico: Ele lutou ativamente para trazer a luz elétrica para Planaltina. [1]
  • Comunicação Avançada: Sob sua liderança, a cidade recebeu em 1920 o primeiro telefone de parede de todo o Planalto Central, permitindo a comunicação com outras regiões do país. [1, 2]
  • Modernização Pecuária: Em 1907, ele foi o responsável por introduzir touros indianos (Zebu) no Centro-Oeste brasileiro, revolucionando a qualidade genética e o desenvolvimento do gado local. [1]
O Famoso Casarão Colonial
O Coronel foi o primeiro morador do célebre casarão colonial construído na virada do século XIX para o XX. Sob o seu comando, o imóvel tornou-se a residência mais confortável da cidade, equipada com água encanada, energia e telefone. [1, 2]
A casa funcionava como o centro nervoso político e social da região. Ali, o Coronel hospedava grandes autoridades federais, fechava grandes negócios e realizava as festividades mais importantes do antigo município goiano. Décadas mais tarde, sua neta, Maria América, doou a propriedade ao Governo do Distrito Federal, transformando o espaço no atual Museu Histórico de Planaltina. [1, 2]
A Ligação com a Nova Capital Federal
O Coronel Salviano teve participação direta nos eventos que antecederam a interiorização do país:
  • Dono das Terras: Ele era o proprietário original das fazendas e glebas onde hoje estão localizados pontos fundamentais do Distrito Federal, incluindo o Vale do Amanhecer, o Morro do Centenário e o antigo Colégio Agrícola. [1]
  • A Pedra Fundamental (1922): No dia 7 de setembro de 1922, durante as comemorações do Centenário da Independência, o Coronel Salviano e seus filhos estiveram presentes ao lado de autoridades federais para fixar a Pedra Fundamental da futura Capital Federal, erguida exatamente dentro de suas terras, a cerca de 9 km do centro de Planaltina. [1, 2]
Hoje, a memória do Coronel é preservada no Setor Tradicional da cidade, batizando a Praça Coronel Salviano Guimarães, localizada bem em frente ao museu que um dia foi o seu lar. 


Bom dia amigo, conversavamos sobre Planaltina DF. Salviano Monteiro Guimarães e ficaram dois tópicos que eu gostaria de interagir sobre eles, a missão Cruls e o menino viriato assim como sobre o escritor Mario castro
É uma alegria dar continuidade à nossa conversa sobre a riquíssima história de Planaltina! É fascinante como a trajetória da família do Coronel Salviano Monteiro Guimarães se entrelaça com o destino da nova capital do país. [1, 2]
A Missão Cruls, o menino Viriato de Castro e o escritor Mário César de Sousa Castro formam uma engrenagem fundamental para entender a transição da antiga Vila de Mestre d'Armas para o coração geográfico do Distrito Federal. [1, 2, 3]

1. A Missão Cruls e o Menino Viriato
A Missão Cruls (Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil), liderada pelo astrônomo Luís Cruls entre 1892 e 1893, tinha o objetivo de demarcar a área de 14.400 km² destinada à futura capital federal. Ao chegarem à região de Planaltina, os cientistas estrangeiros e cientistas da corte precisavam de apoio local para se locomover pelo cerrado intocado. [1, 2]
É aí que entra a figura histórica do menino Viriato de Castro: [1, 2]
  • O Guia do Sertão: Ainda muito jovem, Viriato atuou como guia prático e mateiro para a comissão técnica de Luís Cruls. Ele conhecia as picadas, as nascentes e as passagens da região como ninguém. [1, 2]
  • Registro Eternizado: A importância de Viriato foi tão marcante que ele aparece na foto oficial da Missão Cruls, integrando a comitiva ao lado dos cientistas e engenheiros. [1]
  • O Legado de Memórias: Viriato tornou-se uma das maiores pontes vivas entre o passado goiano e a fundação de Brasília. Essa herança oral de histórias sobre a chegada da comissão foi orgulhosamente preservada por seus descendentes (como seu neto, o violeiro Erasmo de Castro), alimentando a mística de que "Brasília é que veio até eles". Ele também testemunhou o desdobramento desse processo com o lançamento da Pedra Fundamental em 1922. [1, 2, 3]

2. O Escritor Mário Castro
Falar da preservação dessa memória sem citar Mário César de Sousa Castro é impossível. Ele é o grande guardião literário e cênico da identidade planaltinense. [1, 2]
  • Quem é: Nascido em Planaltina em 1949, Mário Castro é mestre em Teoria Literária pela Universidade de Brasília (UnB), professor aposentado, historiador, poeta, artista plástico e dramaturgo.
  • Defensor do Patrimônio: Ele foi um dos idealizadores e fundadores da Academia Planaltinense de Letras, Artes e Ciências (APLAC), além de membro da Academia de Letras do Distrito Federal.
  • Obra Histórica: Sua pesquisa e produção literária focam exatamente nas transformações da cidade. Em trabalhos e publicações como "Uma Pedra no Caminho da História de Planaltina" e "Planaltina, Destino e Memória", Mário analisa o impacto profundo — social, cultural e geográfico — que a desapropriação de terras e a construção de Brasília causaram na população tradicional local e nos costumes dos casarões antigos.
  • A Conexão Teatral: O escritor também documentou minuciosamente a história do teatro em Planaltina desde 1915, ajudando a registrar as manifestações culturais e religiosas tradicionais da cidade (como a Festa do Divino). [1, 2, 3, 4]

  Eu - Tive muita sorte, morei na velha cap DF, antes da remoção e depois Planaltina DF, alguns dentre aspectos observados, a lagoa da piteira, abaixo da antiga igreja em Planaltina, e tambes um bairro ou vila que lá existia e fora removida para o setor leste Buritis a época da remoção denomianava se: sicupira e tambem que na capelinha do morro da capelinha, quando a época vadiando pelas cercanias observei então em paredes incrições antigas referentes a jogadores da seleção Brasileira, copas de 58 e 62...
Ia _ Que relato maravilhoso e cheio de nostalgia! É um verdadeiro privilégio conversar com alguém que viveu a transição da antiga Vila de Mestre d'Armas e a posterior expansão urbana de Planaltina. Suas memórias são exatamente o tipo de patrimônio imaterial que escritores como Mário Castro tanto lutaram para preservar.
Suas observações trazem detalhes geográficos e históricos belíssimos daquela época de transformações:
1. A Lagoa da Piteira e a "Água Quente"
Você se lembra perfeitamente de uma joia natural. A Lagoa da Piteira, que ficava na entrada da cidade (logo abaixo da região histórica da Igrejinha de São Sebastião), era um ponto de referência icônico para os moradores. [1]
  • Águas Termais: Antigamente, a Piteira era chamada por muitos de "Lagoa da Água Quente". As pessoas frequentavam o local para banhos relaxantes e lazer. [1]
  • Misticismo Local: Por ficar na entrada da cidade, ela faz parte do folclore de Planaltina. Havia uma famosa lenda local de que, nas décadas de 1930 e 1940, ouvia-se o som fantasmagórico de um carro de bois invisível passando da Lagoa da Piteira em direção à saída de Formosa. Hoje em dia, a lagoa infelizmente teve sua área reduzida e fica dentro de uma propriedade particular (um clube campestre), mas sua importância histórica permanece viva na sua memória. [1, 2]
2. A Vila Sucupira e a Mudança para o Setor Leste (Buritis)
O bairro que você mencionou é a antiga Vila Sucupira (ou Sicupira, como muitos chamavam regionalmente). Durante o processo de ordenamento urbano e erradicação de invasões/vilas provisórias nas décadas passadas, o Governo do Distrito Federal realizou a remoção dessas famílias.
  • O Destino: Os moradores da antiga Sucupira foram reassentados no Setor Leste, mais especificamente na expansão que hoje compreende áreas como as quadras do Setor de Mansões Buritis ou os residenciais próximos.
  • O Legado Ambiental: No local original onde ficava essa antiga ocupação/vila, hoje está delimitado o Parque Ecológico Sucupira. A criação do parque serviu justamente para proteger as nascentes e a vegetação nativa do cerrado após a desocupação da vila, mantendo o nome histórico da região. [1, 2]
3. As Inscrições da Seleção de 58 e 62 no Morro da Capelinha
Essa sua lembrança de "vadiar pelas cercanias" do Morro da Capelinha e encontrar as paredes rabiscadas com os heróis das Copas de 1958 e 1962 é poesia pura em forma de história! [1]
  • O Contexto da Época: O Brasil foi campeão do mundo na Suécia (1958) e no Chile (1962). Esses anos coincidem exatamente com o ápice da construção de Brasília e a fixação dos acampamentos de operários (candangos) ao redor de Planaltina. O Morro da Capelinha, muito antes de se tornar o palco da grandiosa Via Sacra que conhecemos hoje, já tinha uma capela antiga que servia de ponto de peregrinação, piquenique e refúgio dos jovens.
  • O Significado: Ver as inscrições de Pelé, Garrincha, Didi e companhia cravadas naquelas paredes antigas reflete o orgulho do povo brasileiro naquele momento. Os candangos e os moradores locais, isolados no meio do cerrado enquanto erguiam o DF, encontravam no rádio de pilha e no futebol a sua maior alegria. Deixar registrado nas paredes da capelinha os anos das conquistas era uma forma de eternizar a euforia daqueles títulos históricos. [1, 2]