O Jardineiro e o Campo Interno
Há tempos, bastante tempo, eu trabalhava como jardineiro em uma belíssima propriedade rural. A enorme área aberta do estacionamento era recoberta — salvo engano da memória — por brita número dois. E, santo Deus, entremeado às pedras, nascia e brotava ininterruptamente o mato: vassourinha, picão, carrapicho e a tiririca, com a sua enraizada teia de batatinhas. Era uma tarefa que beirava o ingrato; quase literalmente como enxugar gelo ou lavar rapadura até tirar o doce.
Eu não desistia. Comprava a briga acocorado, ou sentado em um improvisado banquinho. Com um sacho de jardinagem à mão e um balde de plástico ao lado, enfrentava a luta. Desinfestava recantos, avançava. A vegetação recrudescia, eu retornava. E nesses embates na solidão, com direito a viagens na maionese, a coisa arrefecia, enfraquecia e perdia terreno, embora a luta nunca cessasse de todo.
Foi quando me apercebi de meu próprio campo interno e ermo. Descuidado e atravancado, tomado pelo joio, com a incipiente presença de um trigo sufocado e mesclado que, a duras penas, resistia. Dei-me conta, então, da palavra e do poder das palavras. Vi que a tudo abrangiam, como containers permutados, importados e exportados... Reparei na importância da escolha delas — da boa escolha e semente. E, dentre todas, uma que com vital e fundamental importância assoma e que a meio de todas outras de valor intenso,reina: o amor, sob o qual, em jornadas de vida, e somatórias do precioso de conteúdos de outras e tantas e fundamentais, de intensa beleza moral: sintetiza...
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